A Outra Chance

13 de fevereiro de 2016

A Outra Chance

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Sombra do Coqueiro
Em uma de suas muitas viagens a serviço à cidade de
São Paulo, maior metrópole da América do Sul, César
caminhava, tranquilamente, pela charmosa Avenida
Paulista, após um longo dia de trabalho, quando ouviu
alguém chamá-lo.
Virou-se e, para sua surpresa e alegria, reencontrou um
velho amigo. Era Paulo, contemporâneo da Universidade
Federal do Pará, onde cursara engenharia mecânica. Paulo
formou-se em medicina.
– Ora, ora, mas que bela surpresa – disse-lhe.
– Por que não vamos tomar um whisky? – convidou-o.
Em poucos minutos conversavam sobre os velhos tempos
quando um amigo de Paulo aproximou-se. Tratava-se
de Gabriel, um rapaz com cara de gente boa, sujeito alegre
e, afinal, era mesmo gente boa. Era advogado e trabalhava
naquela cidade
Gabriel sentou-se e Paulo, após as apresentações de
praxe, disse:
– Gabriel, na última vez em que nos encontramos, você
disse que tinha uma estória para me contar. Vamos lá, acho
que agora temos tempo.
– Claro, com todo prazer.
Desta forma, Gabriel começou a estória:

“Corria o ano de 1985.
Luis Radiani era um jovem e ambicioso advogado em
busca de um lugar ao sol. Estivera estudando, arduamente,
para prestar um concurso público para promotor e se sentia
preparado. Tinha certeza de que, agora, aos 28 anos de
idade, finalmente iria conseguir um bom emprego.
Estava calmo, seguro de si. Havia muitos candidatos.
Muito mais do que imaginara. Na verdade, não tivera a menor
preocupação com a concorrência. Naquele momento, no entanto,
percebeu que não seria fácil… mas tinha estudado muito.
Finalmente a prova começou. Foram quatro horas difíceis.
O clima quente fazia com que o suor lhe escorresse
pelo rosto chegando até mesmo a pingar na prova.
Pronto! Estava lançada a sorte.
A banca examinadora do concurso prometera que, em
um mês, divulgaria o resultado e a admissão seria imediata.
Só restava esperar. Nada mais.
Os dias passavam lentos. Agora, sobrava-lhe tempo
para ver Sônia com mais freqüência. Ela era a mulher de
sua vida. Loura, olhos verdes, muito charmosa e elegante.
Sabia compreendê-lo em todos os pontos e compartilhava
cada minuto de sua vida, fosse bom ou ruim. Quem sabe um
dia poderiam casar-se! Ter filhos!
Que era aquilo? Luis Radiani estava sonhando acordado?
Sim. Era o que ele fazia enquanto, a pé, dirigia-se à casa
dela. Tinha prometido que o esperaria até o dia em que se
estabilizasse na vida, a pedido de Luis.
Sônia era médica e trabalhava em um grande hospital.
Tinha carro novo e ganhava um bom salário para os padrões
daquela cidade. Mas, vejam só, estava apaixonada por um
advogado desempregado!
Não. Isso não importava. Era dele que ela gostava.
Passava das vinte e uma horas quando Luis Radiani chegou
ao prédio, de classe média alta, onde ela morava.
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A Outra Chance
O porteiro já o conhecia.
Cumprimentou-o e perguntou-lhe por onde tinha andado,
pois estava “meio sumido”. Luis deu uma desculpa
qualquer e subiu para o apartamento de Sônia.
Ela já o esperava. Estavam apaixonados e agora se
reencontravam após um período em que Luis estivera se
dedicando, com afinco, aos estudos. Já se tinham passado
algumas semanas desde a última vez que se falaram
pessoalmente. Agora, estavam felizes e, como sempre,
faziam planos para o futuro, mas havia alguma coisa
estranha. Sônia estava angustiada.
No começo, fingiu que não notou, mas o semblante da
jovem médica estava fechado demais; demonstrava tanta
preocupação que decidiu perguntar-lhe o que estava acontecendo.
– É que hoje, lá no hospital, mais um paciente faleceu
vítima dessa doença terrível que nos está atormentando e
demonstrando o quanto somos impotentes para vencê-la. O
vírus parece inteligente. Só este ano já morreram doze pacientes
nesse hospital. E olhe que estamos apenas no mês
de fevereiro… e estamos fazendo o melhor que podemos
para salvar essas pobres criaturas. São velhos, jovens e até
mesmo um recém-nascido.
– Ora, vamos, querida! Não se atormente. Tenho certeza
de que você e seus colegas estão fazendo tudo o que podem
para salvar essas pessoas. Acho que, cedo ou tarde, em
algum lugar, alguém vai encontrar um meio de derrotar esse
inimigo. A medicina já passou por momentos talvez até mais
difíceis do que este. Olhe, ainda tenho alguma grana aqui
comigo e estou a fim de comemorar. Que tal um chopp?
– Só se eu pagar.
– Negativo.
– Está bem, mas da próxima vez sou eu quem vai pagar
– concluiu Sônia.

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